“Os estudantes de arquitetura e os arquitetos estão perdendo a capacidade de pensar sobre a essência das coisas, sobre a função, sobre o porquê de cada projeto, cada objeto, cada material. Hoje, o arquiteto projeta uma casa ou uma loja sem saber que aquilo é um pedaço de cidade. É a alma da arquitetura que está indo embora, perdendo o sentido. Arquitetura que eu considero de forma geral: projetar um livro, uma exposição, uma mesa, uma cadeira, um cenário, tudo isso é arquitetura.” - por Marcelo Ferraz, em PROJETO DESIGN.

Enquanto isso, torço para que mais reflexão e atitude estejam de volta, o quanto antes, nas pranchetas de São Paulo.


Fernando Díez em entrevista para a revista AU:

AU SOBRE A TENDÊNCIA DE A ARQUITETURA ATUAL SE APOIAR MAIS NA TECNOLOGIA DO QUE NA ESTÉTICA, RENZO PIANO AFIRMOU EM RECENTE ENTREVISTA QUE, PARA ELE, NÃO EXISTE DIFERENÇA ENTRE ARQUITETURA E CONSTRUÇÃO, EMBORA RECONHEÇA A IMPORTÂNCIA DE ASPECTOS SIMBÓLICOS AGREGADOS À CONSTRUÇÃO. NA SUA OPINIÃO, ESSA VISÃO SE APLICARIA À ARGENTINA, EMBORA AQUI PREDOMINE UMA ESTÉTICA MAIS RACIONALISTA?

DIEZ Piano projetou o Centro Pompidou com Richard Rogers há muito tempo, com a intenção de que a tecnologia fosse uma expressão racional. Creio que todos nós consideramos o Pompidou como um edifício com estética expressionista, um edifício ornamentado com a tecnologia. Algumas instalações foram projetadas para serem vistas, mas outras estão escondidas. É irônico: a maior parte da expressividade das instalações é forçada, se localiza no exterior do edifício. Como disse Robert Venturi “é muito caro ornamentar por meio da engenharia”. Não concordo com a idéia de Piano. A mim parece ingenuidade acreditar que existe somente uma forma de mostrar a relação entre tecnologia e estética.”


Cicatrizes

29Fev08

As ruas já não estão mais esburacadas, no meu bairro. Agora, só é preciso desviar dos remendos salientes e esquecidos.   


Entrevista com Winy Maas, do MVRDV. Que tal um pouco sobre dimensões na arquitetura?


Peso e sombra

26Fev08

Estudando - à distância - análises de arquitetura pelo livro de Geoffrey Baker, Le Corbusier: Uma análise da forma, encontrei duas páginas sobre Ruskin, um autor que já me havia encantado a anos atrás. E ali, estavam alguns parágrafos de As sete lâmpadas da arquitetura, entre eles:

“Não importa quão deselegantes ou banais sejam os meios que adquirem peso e sombra - telhado inclinado, varanda proeminente, sacada saliente, nicho côncavo, gárgula maciça, parapeito sombrio; que adquiram apenas escuridão e simplicidade, e todas as coisas boas se seguirão a seu tempo e lugar.”


Onde viveria

17Fev08

Onde se veja a luz do sol pela manhã, onde se sinta o suspiro do vento, onde se refresque ao meio-dia, onde se apresente as diferentes cores do céu, onde se ouça passos descalços pelos corredores e onde as paredes me orientem. 


Por que reclamo de um dia vazio, se é justamente ele que me permitirá fazer o que me der vontade e na hora que eu quiser? Foi com essa pergunta e uma olhada à prateleira da minha casa que resolvi ver os DVDs, até então fechados: Arquiteturas do Mundo. A idéia da série foi gravar os passeios guiados por bons arquitetos pelas cidades mais curiosas do mundo - Xangai, Londres, Berlim, Manhattan, Barcelona, Roma, Paris, Rio de Janeiro e Dubai. O prato é cheio.

Mas no meio de muito turismo histórico e monumental, o final do episódio de Barcelona, com o arquiteto Ricardo Bofill, foi o que até agora me pareceu o mais sensível:

“(…) Isso que é belo na arquitetura, começar do nada, do zero, e imaginar alguma coisa que depois será feita, será construida e estará lá. Começa com a página branca, que não tem nada. Começamos a refletir, e aí que está a emoção mais importante, o momento mais forte da arquitetura. Começar, imaginar um novo projeto, é isso que devemos fazer sempre que possível.”


O Teste

13Fev08

Nessa vida me testam, a cada instante. E, a cada instante, eu agradeço um novo teste.


Resolvi comprar o Mensagem aos etudantes de arquitetura - novamente de Le Corbusier - há pouco tempo. É um livrinho curto, de umas 70 páginas e de leitura tão rápida e fluida que resolvi anotar no meu caderno algumas passagens importantes para não me esquecer depois de guardá-lo na estante.

Aqui vão algumas delas:

“A técnica e a consciência são as duas alavancas da arquitetura sobre as quais se apóia a arte de construir.

Apenas os jovens são suficientemente livres e ainda desinteressados para poder construir a força reunida em torno dessa arquitetura renascente.

Arquitetura e urbanismo agem efetivamente sobre todos os gestos do homem. Arquitetura em tudo: sua cadeira e sua mesa, suas paredes e seus quartos, a escada ou o elevador, a rua, a cidade. Encantamento ou banalidade, ou tédio. E até o horror é possível nessas coisas. Beleza ou feiúra. Felicidade ou infelicidade. Urbanismo em tudo, desde que se levantou da cadeira: lugares de sua casa, lugares do bairro; o espetáculo público de suas janelas; a vida da rua; o desenho da cidade. Vocês estão vendo que não há um único instante em que se possa faltar cuidado, ternura.

O poder da invenção, da criação permite dar o mais puro de si para levar a alegria ao outro, a alegria cotidiana dentro de suas casas.

A técnica é futo da razão e do talento. Mas a consciência depende do caráter. Aqui, trabalho interior, lá, exercício sábio.

O estudo da tradição não fornece fórmulas mágicas de resolver os problemas contemporâneos da arquitetura. (…) Cabe a nós enxergar com clareza e encontrar a saída.

A tradição é um objeto de estudo, e não de exploração.

A natureza, a consciência, as artes são para nós, um convite à reflexão. Essa é a unidade que devemos captar. “


Enquanto leio A Viagem do Oriente, anotarei um parágrafo que me chamou a atenção do livro escrito por Le Corbusier quando jovem em uma de suas viagens que o formou como arquiteto.

“Se a arte se eleva acima das ciências, é precisamente porque ela excita, contra estas, a sensualidade, despertando profundos ecos no ser físico. Ela dá ao corpo - ao animal - sua parte justa e sabe elevar depois, sobre essa base sadia, própria à expansão da alegria, as mais nobres colunas.”

Um livro sobre descobertas tão descritível quanto sensível.


Hoje é domingo e esta semana se encerra bem, porque decidi voltar a postar no Cota Zero, que já está há mais de dois meses parado. Aos poucos, no meio de tantas mudanças, fui deixando de escrever e sinto que não me ajudou em nada. Passo por fases na vida, o que - é claro, reflete por aqui. Enquanto escrevo, amadureço algumas idéias, busco e descubro novidades, e até melhoro meu português; sinto assim que só ganho mantendo o blog. Por isso, estou de volta, mas não do zero!


Li, outro dia, no jornal um catedrático cientista dizendo que, se nao evoluiam na pequisa, estariam regredindo. Talvez a única coisa que nao nos perdoa no universo seja mesmo o tempo.


A arquitetura exige exatamente o que exige a vida, nada mais.


Na Comunidade do blog C0TA ZER0 no site do Orkut, abri um fórum com o tema: o que é e o que nao é arquitetura. Pensava em receber apenas as opinioes dos leitores sobre um assunto que nao é tao fácil de discutir, mas a página de respostas foi além do esperado - os tópicos logo viraram um resumo de opinioes dos grandes nomes da arquitetura.  

“ Tadao Ando: I believe that the way people live can be directed a little by architecture.

Ralph Erskine: The job of buildings is to improve human relations: architecture must ease them, not make them worse.

Michael Graves: I see architecture not as Gropius did, as a moral venture, as truth, but as invention, in the same way that poetry or music or painting is invention.

Walter Gropius: Architecture begins where engineering ends.

Jean Nouvel: Each new situation requires a new architecture.

Richard Rogers: My passion and great enjoyment for architecture, and the reason the older I get the more I enjoy it, is because I believe we - architects - can effect the quality of life of the people.

Frank Lloyd Wright: The mother art is architecture. Without an architecture of our own we have no soul of our own civilization.”

Postado na Comunidade do C0TA ZER0 por Ana Julia Andrade.


“Produtos mais econômicos não precisam ser uma réplica mais barata dos imóveis de alto padrão. E também não devem ser produzidos com desleixo arquitetônico e estético. Ninguém quer apenas morar como ninguém quer apenas viver: as pessoas querem morar bem, viver bem (…)”.  De Eduardo Carvalho, para O Estado de S. Paulo, em Imóveis acessíveis sem perder a qualidade. Porque viver bem nessa cidade ainda é possível.


Hoje, só queria postar um texto bonito. Sem críticas e de boas recordaçoes, que me fizesse sentir aconchegada e em casa, mesmo estando tao longe. Por isso, um texto de Gaston Bachelard, de A Poética do Espaço, que recebi por email da minha mae; porque aqui o dia esfriou e escureceu.

“A casa é nosso canto no mundo. Ela é, como se dia amiúde, o nosso primeiro universo. É um verdadeiro cosmos. Um cosmos em toda a acepçao do termo. Nosso objetivo está claro agora: pretendemos mostrar que a casa é uma das maiores  (forças) de integraçao para os pensamentos, as lembranças e os sonhos do homem. Nessa integraçao, o princípio de ligaçao é o devaneio. O passado, o presente e o futuro dao à casa dinamismos diferentes, dinamismos que nao raro interferem, às vezes se opondo, às vezes exitando-se mutuamente. Na vida do homem, a casa afasta contingências, multiplica seus conselhos de continuidade. Sem ela, o homem seria um ser disperso. Ela mantém o homem através das tempestades do céu e das tempestades da vida. É o corpo e alma. É o primeiro mundo do ser humano. Antes de ser “jogado no mundo”, como professam as metafísicas apressadas, o homem é colocado no berço da casa. E, sempre, nos nossos devaneios, ela é um grande berço. Uma metafísica concreta nao pode deixar de lado esse fato, esse simples fato, na medida em que ele é um valor, um grande valor ao qual voltamos nos nossos devaneios. O ser é imediatamente um valor. A vida começa bem, começa fechada, protegida, agasalhada no regaço da casa. “


Percebi pela reaçao dos comentários e reflxoes geradas pelo Diversos projetos ou projetos diversos - um simples post sobre a correcao de croquis da minha turma de projetos, que realmente os arquitetos formados no Brasil estao espantados com a qualidade de ensino das escolas de arquitetura. O post tinha como intençao somente dividir com os leitores deste blog uma correçao precisa, bem escrita e detalhada sobre os projetos dos alunos da ETSAM; mas foi além, fez com que, lendo tal arquivo, alguns lembrassem das suas correçoes durante a faculdade, e se inquietaram. A mim também me entristesse a falta de preparo de muitos dos nossos professores, mas me dá uma enorme alegria ver que, ainda assim, há consciências que nao distorcem os fatos. Ler post de Henrique Benites: Pensando arquitetura no blog Arquitetando ou nao.


Ontem fui à aula sem lápis nem papel, mas nao pude deixar de anotar, no jornal que levava, uma frase do professor Andrés Cánovas: “La arquitectura no es una decoración para los hombres, es lo que hace posible la vida de los hombres.”


Uma das coisas que mais me agradam na Escuela Superior de Arquitectura de Madrid é a diversidade entre os projetos apresentados. Eu estava acostumada às lâminas sobre pilotis que desenham os alunos do Mackenzie, como já escrevi em outro post, mas agora, por aqui, vejo que aprendemos muito mais sobre arquitetura quando nos mostram as novidades, quando um aluno - ou melhor, quase toda a turma de 40 alunos - te apresenta uma idéia que jamais iria apresentar. Meu professor fez uma correção virtual de alguns dos trabalhos, e, para os que não acreditam em tamanha diversidade, linko aqui (entrar na pág. principal, logo na letra “M”, depois em “comentários”) o arquivo que nos enviou sobre a primeira entrega.  


Me surpreendeu o resultado de uma busca rápida no YouTube. Escrevi somente as palavras “arquitectura” e “madrid”, e o primeiro filme - e, por sinal, o mais interessante há meses - era uma visita à carioca Casa das Canoas de Oscar Niemeyer. A intenção de buscar alguma novidade na arquitetura espanhola, me levou a um passeio pela arquitetura brasileira. Uma das frases mais bonitas de Beatriz Matos está logo no começo do filme: “Es una casa que no tiene casa, es una casa que no existe, es una sombra.”


Esse semestre tenho que reordenar uma quadra da Cidade Universitária de Madri. Os passos que sigo são incertos. Mesmo assim, sigo. Vou ao terreno e caminho, observo, cheiro, toco e sinto. Tento compreender o que acontece por ali. O que mudar, por que mudar e, logo, como mudar? Enquanto ando, vou narrando o que percebo e o que muda passo-a-passo. Penso no que narro tentando encontrar algo que me chame a atenção. Vejo uma sombra em um banco solitário na rua que beira o quarteirão. O piso da calçada é de pedras pequenas e marrons e, quando chegar o 137, entro e vou para Moncloa - dali já não seguirei mais pensando no projeto. Agora me pergunto se foi uma boa idéia voltar a esse terreno tão abandonado. 


Ontem, durante uma aula de correção de projetos, o professor soltou a seguinte frase: “Las obras superan los autores.” Isso não saiu da minha cabeça. Ficava pensando em como poderia uma obra ter mais valor que o homem que a imaginou, desenhou e construiu. Engraçado, mas só escrevendo, percebi que concordo com ele. O que disse tem a ver com planos reais - um é o da imaginação, o outro o material. Uma idéia só passa a ter valor quando é materializada e vira um objeto concreto; assim, ela entra em contato com o mundo pela primeira vez. Resolve uns problemas, provoca outros. E talvez só a obra poderia de fato alterar a realidade.


Recebi esses dias um email do meu irmao com um link para o texto Dear Architects, I am sick of your shit, de Annie Choi, publicado em uma revista estudantil da Princenton School of Architecture, a Pidgin. Há quem possa achar que a autora exagerou. Mas confesso, como estudante de arquitetura, que Annie tem razao. E o melhor é que quanto mais próximo de um arquiteto você for, mais divertido será o texto.

Once, a long time ago in the days of yore, I had a friend who was studying architecture to become, presumably, an architect.
This friend introduced me to other friends, who were also studying architecture. Then these friends had other friends who were architects - real architects doing real architecture like designing luxury condos that look a lot like glass dildos. And these real architects knew other real architects and now the only people I know are architects. And they all design glass dildos that I will never work or live in and serve only to obstruct my view of New Jersey.
Do not get me wrong, architects. I like you as a person. I think you are nice, smell good most of the time, and I like your glasses. You have crazy hair, and if you are lucky, most of it is on your head. But I do not care about architecture. It is true. This is what I do care about:

* burritos
* hedgehogs
* coffee

As you can see, architecture is not on the list. I believe that architecture falls somewhere between toenail fungus and invasive colonoscopy in the list of things that interest me.

Perhaps if you didn’t talk about it so much, I would be more interested. When you point to a glass cylinder and say proudly, hey my office designed that, I giggle and say it looks like a bong. You turn your head in disgust and shame. You think, obviously she does not understand. What does she know? She is just a writer. She is no architect. She respects vowels, not glass cocks. And then you say now I am designing a lifestyle center, and I ask what is that, and you say it is a place that offers goods and services and retail opportunities and I say you mean like a mall and you say no. It is a lifestyle center. I say it sounds like a mall. I am from the Valley, bitch. I know malls.

Architects, I will not lie, you confuse me. You work sixty, eighty hours a week and yet you are always poor. Why aren’t you buying me a drink? Where is your bounty of riches? Maybe you spent it on merlot. Maybe you spent it on hookers and blow. I cannot be sure. It is a mystery. I will leave that to the scientists to figure out.

Architects love to discuss how much sleep they have gotten. One will say how he was at the studio until five in the morning, only to return again two hours later. Then another will say, oh that is nothing. I haven’t slept in a week. And then another will say, guess what, I have never slept ever. My dear architects, the measure of how hard you’ve worked and how much you’ve accomplished is not related to the number of hours you have not slept. Have you heard of Rem Koolhaas? He is a famous architect. I know this because you tell me he is a famous architect. I hear that Rem Koolhaas is always sleeping. He is, I presume, sleeping right now. And I hear he gets shit done. And I also hear that in a stunning move, he is making a building that looks not like a glass cock, but like a concrete vagina. When you sleep more, you get vagina. You can all take a lesson from Rem Koolhaas.

Life is hard for me, please understand. Architects are an important part of my existence. They call me at eleven at night and say they just got off work, am I hungry? Listen, it is practically midnight. I ate hours ago. So long ago that, in fact, I am hungry again. So yes, I will go. Then I will go and there will be other architects talking about AutoCAD shortcuts and something about electric panels and can you believe that is all I did today, what a drag. I look around the table at the poor, tired, and hungry, and think to myself, I have but only one bullet left in the gun. Who will I choose?

I have a friend who is a doctor. He gives me drugs. I enjoy them. I have a friend who is a lawyer. He helped me sue my landlord. My architect friends have given me nothing. No drugs, no medical advice, and they don’t know how to spell subpoena. One architect friend figured out that my apartment was one hundred and eighty seven square feet. That was nice. Thanks for that.

I suppose one could ask what someone like me brings to architects like yourselves. I bring cheer. I yell at architects when they start talking about architecture. I force them to discuss far more interesting topics, like turkey eggs. Why do we eat chicken eggs, but not turkey eggs? They are bigger. And people really like turkey. See? I am not afraid to ask the tough questions.

So, dear architects, I will stick around, for only a little while. I hope that one day some of you will become doctors and lawyers or will figure out my taxes. And we will laugh at the days when you spent the entire evening talking about some European you’ve never met who designed a building you will never see because you are too busy working on something that will never get built. But even if that day doesn’t arrive, give me a call anyway, I am free.

Yours truly,
Annie Choi


…Ismos

06Set07

Folheando …Ismos, um livro sobre os movimentos da arquitetura, uma frase me chamou a atenção: a ligação da arquitetura “aos meios mais imediatos e do dia-a-dia significa das nos que afeta os padrões das nossas vidas de uma forma tanto sutil, como profunda - por exemplo, por onde entramos num edifícoio e como nos movimentamos dentro dele - evocando memórias, sentimentos, idéias e associações.”


Sem acento

27Ago07

É isso aí! Os próximos posts virao sem alguns dos acentos da língua portuguesa. Países diferentes, configuracoes diferentes!


Passeio pela cidade. Minha atenção se perde em tanta luz às sete da noite. Não sei o que ouço. Percebo olhares. Sinto medo; desconfio. Desvio buracos, vasos e mal encarados. Fujo, tropeço, assusto. Encontro e converso. Passeio mais um pouco. Reconheço e me reconhecem. Não converso mais. Volto, e depois de amanhã passeio outra vez.


Uma postura exemplar de Steven Holl: mais importante que um programa pré-estabelecido e suas regras, são os ideais que a arquitetura deve propor. Me pego pensando se o que falta em alguns arquitetos é coragem, e concluo que talvez não, que o que falta pode ser idéia.


The Architecture of Happiness é um livro que fala da importância da arquitetura nas nossas vidas, e como ela pode interferir na nossa felicidade. Acredito, como o autor, que muito mais do que as pessoas imaginam. Acabei de pegar para ler, e, enquanto vou descobrindo as opiniões de A. de Botton sobre o assunto, deixo livre o espaço de comentários para saber a resposta de vocês para as pergutas-chave do livro:

  - What makes a house beautiful?

  - Why do people disagree about taste?

  - Can buildings make us happy?

  - Minimalist or floral?


Uma biblioteca de idéias, um rosbife em Londres, e uma discussão sobre haver ou não buracos no eixo principal de uma fachada podem resumir o conceito de um projeto para o Auditório de León dos arquitetos espanhóis Mansilla e Tuñón. Eu fico com a biblioteca e o rosbibe, mas me parece que a discussão também foi necessária.

 


“Aprendemos durante todo o curso a reproduzir nossa velha arquitetura modernista, e isso até fazemos bem. Mas os conceitos dos trabalhos são sempre agarrados aos de outro tempo, como se fossem as normas para seguir com a seguinte arquitetura. Bem, é verdade que não faço parte de uma geração educada a criticar o que se ensina, nem a buscar a aprender fora da sala de aula - até parece que existe uma comunidade por aí que leva o lema: “less (work) is more (time to have fun); mas ainda não acredito que seja por isso que os trabalhos resultem tão parecidos uns aos outros.” Parágrafo sobre meus primeiros anos de faculdade retirado do texto Um contemporâneo agarrado ao modernista, que escrevi em 2006 enquanto estudava fora do Brasil.




Categorias